O protagonismo das Instituições de Ensino Superior para a Internacionalização Disruptiva em momentos de crise

Fonte da foto: arquivo pessoal

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Por  Luciane Stallivieri

Entre tantos desafios que as Instituições de Ensino Superior já vinham enfrentando nesse novo Século, somou-se uma pandemia de proporções globais. A COVID-19 sinalizou para a interrupção de inúmeras atividades de diversos setores, entre elas a interrupção da Internacionalização da Educação Superior. Para muitos, houve de imediato, a compreensão do encerramento das ações de cooperação internacional, especialmente da mobilidade acadêmica de estudantes, que ainda é um dos terrenos mais férteis para manifestação da Internacionalização.

No entanto, estamos vivenciando a 4ª. Revolução Industrial (Schwab, 2016), a transição da Sociedade do Conhecimento para a Era Digital, e portanto a forte migração dos ambientes presenciais para os ambientes digitais. Os cenários apontam para os grandes avanços na produção e no compartilhamento do conhecimento, na transformação de big data em expertise e em sabedoria para tomada de decisões para questões de alta complexidade.

A evolução da Sociedade do Conhecimento para a Indústria 4.0, para a potencialização da Inteligência Artificial (Artificial Intelligence – AI), para o uso da Internet das Coisas (Internet of Things – IoT) nos mostram que os caminhos são outros. O desenvolvimento e a valorização do capital humano, a retenção do capital intelectual serão, cada vez mais, os grandes geradores de valor nas organizações, e, consequentemente nas Instituições de Ensino Superior.

O momento de crise gerou a necessidade da interrupção, porém, sinalizou, também, para a urgência da disrupção. Fazer mais, porém fazer melhor. Pensar na Internacionalização Disruptiva (Stallivieri, 2019), baseada na inovação constante, no desenvolvimento da criticidade, na capacidade de solução de problemas de forma criativa, na avaliação de riscos e na iniciativa de construção de soluções conjuntas tornaram-se questões centrais.

As Instituições de Ensino Superior precisam assumir o seu papel preponderante na condução desse novo momento. A conectividade será a nova pedagogia da Era Digital e as IES precisam assumir o seu protagonismo no desenvolvimento de uma agenda positiva para estar a frente desses novos desafios.

Investir na formação de cidadãos globais, engajados em responder às demandas de um mundo cada vez mais globalizado, interconectado, interdependente e em constante mudança (Knight, 2004) é o papel das Instituições de excelência. Tornou-se mister formar cidadãos capazes de utilizar as competência globais, com capacidade de examinar questões locais, globais e interculturais, que saibam entender e apreciar as perspectivas e visões de mundo de outras pessoas, que consigam se envolver em interações abertas, apropriadas e eficazes com pessoas de diferentes culturas, e que atuem em prol do bem-estar coletivo e do desenvolvimento sustentável (PISA, 2018).

O que diferencia as grandes Instituições em momentos de crise? O seu protagonismo, seu perfil inovador, sua dinâmica empreendedora na busca de ações disruptivas.

Pensar a Internacionalização de forma disruptiva faz parte do pensar e do agir das grandes instituições que assumem a liderança na condução de momentos complexos e que conduzem as suas comunidades no direcionamento de compreensão e de busca de soluções globais para aplicação nas questões locais.

A inovação e o empreendedorismo de uma Instituição de Ensino Superior são fundamentais nesse momento para o fortalecimento da pesquisa por meio da cooperação internacional; para o desenvolvimento de novas tecnologias compartilhadas com centros de excelência internacionais e para o avanço da ciência global.

Portanto, o momento é de disrupção, especialmente da Internacionalização, que aproxima instituições, reúne pesquisadores e estudantes do mundo todo, que, mesmo em ambientes virtuais, devem empreender em busca da universalização do conhecimento por meio do coworking, do colearning e da coproduction, ou seja, do trabalho, da produção e do aprendizado colaborativo para o desenvolvimento de sociedades melhores.

*Luciane Stallivieri: Pós-doutora em Engenharia e Gestão do Conhecimento pela Universidade Federal de Santa Catarina, Professora do Programa de Pós-graduação em Administração Universitária e Pesquisadora do Instituto de Estudos e Pesquisas em Administração Universitária da Universidade Federal de Santa Catarina onde investiga os temas relacionados com a Internacionalização da Educação Superior, modelos e práticas de gestão da cooperação internacional, internacionalização de currículo e competências globais.

Este artigo é de responsabilidade da autora e não reflete necessariamente a visão do INPEAU